sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Fome de outono

Estou esfomeada pelo castanho das folhas das árvores e pelo som da chuva a cair. Estou esfomeada pelos dias curtos, pelo anoitecer precoce. Tenho fome de botas e casacos quentinhos. Tenho fome do outono, a única estação idónea de me saciar plenamente. A estação das paisagens bonitas e das minhas roupas preferidas. A estação mais acolhedora de todas. O calendário já lhe deu início, porém, a natureza ainda não. E eu, que a amo incondicionalmente, perdoo-lhe o atraso, que a cada dia que passa aumenta a minha fome. E tenho sede de uma bebida quente, enquanto me enrosco no cobertor de um sofá. E tenho sede da chuva a fazer-me companhia no percurso de casa até às aulas. 
Para mim, o outono é a estação do amor, da paz, da felicidade, do convívio, da tranquilidade, do conforto, enfim, de tudo o que é bom e tendo a apreciar. É a época mais linda do ano, a que mais delicia o nosso olhar e nos aquece o coração - pelo menos o meu aquece. 
Estou esfomeada pelo outono desde que ele terminou. Tenho passado os últimos meses insaciada e vejo-me agora perto da saciedade. 
Daqui a alguns minutos, é outubro. Outubro é sinónimo de outono, até as primeiras três letras são iguais. Ambas as palavras remetem para o cair das folhas, para as árvores despidas, para  os dias curtos, as primeiras chuvas e o desabrochar do frio. E é tão bom o frio que o anseio descontroladamente.  
Tenho fome de outono. Sinto-lhe o aproximar e desperta-se em mim o prazer da excitação. O outono está aí à porta, e a minha sempre esteve aberta à sua espera.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Pensamento/s do dia

Há dias em que acordo com vontade de escrever, não necessariamente de ser escritora - termo com o qual estou longe de me identificar - mas de escrever e fazer da escrita vida.
Há dias em que acordo a querer ser atriz e fazer do teatro vida. Formar uma Companhia e percorrer o país a apresentar peças diversas da minha autoria. Casar com o teatro. 
Há dias em que acordo a querer ser fotógrafa. Acordar antes do nascer do sol e colocar-me em sítios e posições de risco para fazer uma boa fotografia. 
Há dias em que acordo com o sonho de ser realizadora de cinema, de fazer filmes e metragens. 
Há dias em que me sinto fascinada pelo jornalismo e me imagino numa redação, em deslocar-me com bloco de notas e caneta na mão, a entrevistar fontes e a recolher dados.
Há dias em que acordo e não me apetece fazer nada, não me apetece sair da cama, não me apetece tirar o pijama. Também tenho dias em que quero ser procrastinadora.