quarta-feira, 20 de julho de 2016

(Triste) Pensamento do dia

Sou demasiado vazia quando me vacilam as personagens. Sou demasiado vazia quando a vida me obriga a ser somente eu. Talvez ninguém entenda que a arte me completa, que eu nunca me sentirei completa sendo apenas uma personagem. Recuso-me a viver uma só vida, a ter somente os meus sentimentos e desconhecer as emoções de outras realidades fictícias. Recuso-me a viver sem teatro. Porque, honestamente, eu elegeria a morte se me forçassem a negar personagens além de mim. 

quarta-feira, 13 de julho de 2016

E se não existissem sentimentos!?

Como seria a vida se não existissem sentimentos?
Como seria viver sem sentir? 
Como seria viver, estudar e trabalhar sem ambições, sem motivações?
Como seria apenas pensar, ter um só lado - o racional? 
Embora muitas vezes nos esforcemos por colocar o lado sentimental de fora e agir apenas em conformidade com aquilo que consideramos politicamente correto, a verdade é que se torna extremamente díficil imaginar um mundo sem emoções, sem sentimentos. 
Há quem defenda que são os sentimentos que nos guiam - "o sonho comanda a vida". Perante tal ideologia, somos vinculados pelas emoções que nos dominam, agimos de acordo com aquilo que o coração manda. Independentemente da veracidade de tal ideia, por mais racionais que sejamos, todos temos, uma ou outra vez, momentos em que a razão vacila e em que somos confrontados com uma realidade mais emotiva. Já todos vivemos momentos em que agimos por impulso, em que pensamos com o coração, em que seguimos os sentimentos. 
Se não existissem emoções, não havia medos nem desilusões, não havia amores nem ódios, não havia alegrias nem frustrações, não havia esperanças nem angústias, não havia egocentrismos nem saudades, não havia agressividade nem tédio, não havia inveja nem gratidão, não havia vingança nem solidão. Não havia nada ou havia alguma coisa?
Não havia nada ou havia alguma coisa!? É utópico responder a esta indagação. Nunca se decifrará como seria viver sem sentir, uma vez que por mais esforços que existam em prol de esquecer os sentimentos, eles estão sempre presentes, até quando pensamos que não estão, e a sua presença é notória em cada pequena atitude e pensamento que adotamos. 
Uma coisa é certa: somos complexos porque somos dotados de sentimentos. No entanto, também não é possível afirmar que sem sentimentos a vida seria mais simples. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

O Esplendor de Portugal

Silêncio que se vai cantar "A Portuguesa". O sonho português permanece aceso. 
Os ecrãs deixam transparecer parte dos nervos sentidos em campo, porém, há esperança em cada 11: nos 11 jogadores em campo e nos 11 milhões de portugueses que, como sempre, acreditam. Se Portugal vencer vai à final, e poderá, então, ter a desforra desejada desde 2004.
O jogo começa da mesma forma de grande parte dos jogos da seleção neste campeonato - apagado. Apesar de ter sido o primeiro a rematar - aos 16 minutos - Portugal não conseguiu marcar golos, na primeira parte do jogo. 
O País de Gales não esteve melhor. O resultado final desta primeira parte ficou, nada mais, nada menos que 0-0. Um 0-0 equilibrado, que - relembrando os anteriores jogos deste Euro - poderia muito bem manter-se até aos 90 minutos. 
Tal não aconteceu. O Portugal da segunda parte em nada se assemelhava ao Portugal da primeira parte. Aos 49', Cristiano Ronaldo - que bem faz por merecer o título de melhor do mundo - marca, de cabeça, deixando Portugal em vantagem. 
A situação de vantagem - a que Portugal pouco habituado tem estado nestes jogos - acentuar-se-ia quando, três minutos depois, Nani marca o segundo golo. 
Mais do que em qualquer momento neste Euro, o país acredita na Seleção e anseia a final. Afinal de contas, ainda há mesmo contas por ajustar, desde há doze anos atrás. 
À medida que os 90' se aproximam, as garantias de que Portugal vai estar - mesmo! - na final aumentam.
E não é que Portugal - por incrível que pareça neste campeonato - chegou aos 90' sem estar empatado!? Chegou aos 90' em vantagem. E, melhor ainda, chegou aos 90' a garantir o seu lugar na final. 
Portugal - que na fase de grupos até que andou a brincar - prova assim merecer ganhar. Oxalá, a história se repita no próximo jogo. Oxalá, dia 10, Portugal volte a merecer vencer - e vença! 
Que esta nação continue "valente e imortal" e que se levante - agora sim - "o esplendor de Portugal"!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Pensamento do dia (ou divagações da madrugada)

É díficil percecionar os momentos, no momento. Nem sempre é explícita a explicação de atitudes e palavras que outrora usamos. Porém, o tempo passa e deixa ficar evidências. No momento, sentimos a sua força. Depois do momento, percecionamos a sua força. Nada é dito por acaso. Nenhuma ação é por acaso. O tempo é mágico. E o mais bonito é que a vida também. 

domingo, 3 de julho de 2016

Não há poesia no verão

O sol queima. Há chapéus, vestidos coloridos e fruta nos pomares. A sombra torna-se prazerosa. Os corpos mergulham na água da piscina e do mar. E outra água se dá a bebés e idosos, para que não desidratem. Há quem delire com o escurecer da pele e o clarear dos cabelos; há quem delire com o calor das longas noites de verão; há quem delire pelas festas, pelas férias, pelos dias solarengos. Tudo muito lindo. Mas tudo tão vazio. O verão, de todas as estações, é talvez aquela que menos magia tem, sendo tantas vezes e por tantas pessoas sobrevalorizado. Não existe a magia da paisagem coberta dos diversos castanhos das folhas que as árvores largam, como existe no outono. Não existe a poesia do desabrochar das flores e da chegada dos primeiros raios de sol, como existe na primavera. Não existe a neve e o frio que nos atiram para um sofá com um cobertor e um filme, nas tardes de domingo, como existe no inverno. O verão engole-nos na sua monotonia. Veja-se ao ponto a que chegamos quando se passa um ano inteiro a ansiar pela "rotina de verão"; nunca uma rotina há-de ser algo de fascinante, é, por outro lado, entediante! Olá verão, era isto que queria dizer-te: és entediante. Engraçado, nos primeiros tempos, mas com o passar dos dias tornas-te insuportável para os apreciadores de poesia. É complexamente penoso encontrar em ti poesia e isso, desculpa, mas é indesculpável. Onde já se viu uma estação do ano escassa em poesia!? Gostava de te apreciar, uma e outra vez, de desfrutar plenamente daquilo que ofereces. Porém, o que proporcionas, além de um calor abrasador!? Dias mais longos? Eu prefiro a noite. Calor e menos roupas? Eu gosto de sentir frio e de usar muita roupa. Festas? Prefiro o sossego de casa. Férias? Eu gosto de trabalhar. Rotina? Não suporto rotinas. Somos incompatíveis, querido verão. Tu ofuscas a poesia e eu vivo por ela.