quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Porque paramos de correr?

O tempo escapa por entre as entranhas dos dedos, enquanto cerramos os punhos na esperança de o segurar para sempre.
É um erro pensarmos que o tempo nos pertence. O tempo não nos pertence, o que nos pertence são os momentos que o tempo nos proporciona, esses, sim, são nossos, se quisermos.
À medida que o tempo passa, proporciona-nos momentos que visam desculpabilizar-se pela sua efemeridade. Mas será que consegue!? Será que os momentos que o tempo nos proporciona são suficientes para perdoarmos a sua brevidade!? Será que isso depende de nós, que devemos aproveitar cada momento ao máximo!?
Excomungamos tantas vezes o tempo por nos encaminhar tão diretamente para a eternidade e nem paramos para pensar que a culpa não é do tempo, mas nossa, que não lhe atribuímos o justo valor.
Porque se o tempo não espera porque é que nós paramos de correr? 

domingo, 20 de setembro de 2015

Conversa com: Vânia Tavares - a escrita...e as viagens!

Vânia Tavares publicou o seu primeiro livro em 2011, com 19 anos. "A Formiguinha Leonor", um livro infantil, que superou as suas expetativas. Em 2015 começou a viajar "confiando nas pessoas e no mundo.". 

1-Quando e como é que tudo começou? A tua paixão pela escrita...e por viajar?
A minha paixão pela escrita começou desde que aprendi a escrever. Ou, talvez, antes. Porque comecei a falar cedo (e a caminhar tarde) e, portanto, quando não se sabe escrever, pode-se falar. Ou seja, comecei a expressar-me desde muita pequenina e a escrever desde os 6/7 anos. A partir daí, comecei a escrever no primeiro diário e apaixonei-me logo por essa forma de comunicação. A paixão por viajar eu não sei muito bem. Penso que sempre gostei! Mas, antigamente, achava que era necessário muito dinheiro, até que me comecei a informar e a pensar e percebi que é possível viajar com muito pouco dinheiro! Além disso, podemos viajar na nossa cidade, no nosso bairro, até na nossa rua. Muitas vezes, apenas andamos. Nem caminhamos e, muito menos, viajamos.

2 - O teu primeiro livro "A Formiguinha Leonor" superou as tuas expetativas?
Sim, superou! Ainda bem que o escrevi! Fez-me acreditar que quando fazemos o que gostamos e investimos nisso, temos sucesso. Estou muito contente com o resultado.

3 - No dia em que saíste pela primeira vez de casa para viajares sozinha, o que sentiste ao sair porta fora? 
Ui, tantas emoções ao mesmo tempo! Acho que foi o dia mais atribulado emocionalmente da minha vida. Na noite anterior, mal dormi. Estava desejosa que chegasse o grande momento. E quando me levantei e pensei "É agora, segue" foi... incrível. Senti-me muito, muito, muito positiva, com muita confiança. E, ao mesmo tempo, pensava: "A sério? a sério que isto está mesmo a acontecer?". Eu nem estava bem a acreditar! E, claro, senti uma liberdade enorme. Foi mesmo: "Pronto, Vânia, agora vai e faz o que quiseres". Tinha todas as possibilidades, todos os caminhos. Estava comigo, podia decidir o que quisesse a qualquer momento.

4 - As pessoas com quem te cruzas nas viagens costumam ler o que escreves? O que te dizem sobre isso?
Eu cruzei-me com não sei quantas pessoas, mesmo muitas! Portanto, é provável que muitas delas nem saibam que eu escrevo. É engraçado porque há pessoas com as quais desenvolvi grandes conversas, outras que nem sei o nome delas. As pessoas são todas muito diferentes, reagem de forma diferente e relacionam-se com as outras de forma diferente. Mas, aquelas com quem conversei mais, passaram a ler aquilo que eu escrevo e interessaram-se. É um bocado estranho dizer o que me dizem sobre isso. Mas, por exemplo, como escrevi um livro infantil, existe sempre aquela situação: "Ah, que giro! Gostava de ler, vou oferecer à minha sobrinha, aos meus netos, à minha amiga que tem um filho, etc, etc".

5- Inicialmente , fizeste couchsurfing, como foi essa experiência? 
Foi muito positiva, mesmo!! Conheci pessoas muito interessantes, muito diferentes umas das outras! E eu acho que é isso que nos faz viver e aprender - lidar com as pessoas. Passei por experiências incríveis, mesmo. E tenho a certeza que não ia passar, se não tivesse feito couchsurfing. Gostei bastante de me adaptar aos hábitos das pessoas, aprendi muito com cada pessoa. Lidei com pessoas muito conversadoras, pessoas mais caladinhas, pessoas do campo, pessoas da cidade, pessoas mais velhas, mais novas, pessoas com diferentes gostos e comportamentos. E, claro, não se pode estar à espera de nada. Nunca sabemos o que esperar! Cada pessoa é uma pessoa, com toda uma história.
Fotografia de Inês Martins Almeida
6- Atualmente, além de escrever e viajar, estás envolvida noutros projetos ou trabalhos?
Infelizmente, não. Mas gostava de estar. Eu tenho muitas ideias, muitos projetos que gostava de desenvolver, mas sinto que me falta sempre qualquer coisa. "Não sei o que quero, mas sei o que não quero", é mais ou menos isto. Falta-me organização. Preciso de definir melhor o meu caminho. Mas isto já são outros assuntos (risos). 

7-Escrever e viajar. Achas que é possível sustentares-te dessa forma para o resto da tua vida? 
Ui, quem me dera! Será que sim? Era mesmo bom!! Isso era tudo o que eu queria! Ser escritora de viagens? Parece-me muito bem! (risos)

8 - Ambicionas publicar um novo livro, noutro ou no mesmo género? Já tens alguma ideia ou nada, por agora? 
Sim, eu já estou a escrever um livro chamado "Na medida errada". Não é infantil. Aborda temas como relações, infância, família, personalidade.

9 - O que mudou na tua personalidade depois das viagens? E na tua vida?
Bem... Em primeiro lugar, percebi que nós, pessoas, damos importância a coisas que não têm, mesmo, importância nenhuma. E comecei a relativizar muito os acontecimentos. Ou seja, quando estás em viagem, apenas te importas com um sítio para dormir, comida e aproveitar tudo ao máximo. Perdes os complexos, as ideias pré-concebidas, a vaidade. 
Por outro lado, entendi que é mesmo possível viajar para onde quisermos! As pessoas é que não estão habituadas a isso. Porque estão cheias de medo. Podemos andar à boleia, a pé, de bicicleta... Podemos acampar de graça em imensos sítios, podemos fazer couchsurfing, trabalhar em sítios que nos pagam com dormida e comida... Sei lá, tantas possibilidades! Podemos aproveitar o nosso talento para ganhar algum dinheiro - como cantar na rua, ou tocar algum instrumento ou propor algum trabalho. Basta puxar pela cabeça!
E também comecei a dar muito mais importância à minha intuição. Não me preocupo quando parece que não há solução, porque há sempre! Acontece sempre alguma coisa, aparece sempre alguém que pode ajudar. Nós não andamos aqui sozinhos, Está tudo interligado, temos é de nos deixar levar.
E, agora, dou muito, muito mais valor ás pequenas coisas! São essas consideradas "pequenas" que são as grandes. Muitas delas, passavam-me ao lado. Mas, realmente, o ser humano, precisa de muito pouco para ser feliz. Nós é que inventamos coisas na nossa cabeça e criamos necessidades. Outra coisa: Nós (Todos nós) temos tendência a ver as situações para o nosso lado, de acordo com aquilo que nos foi ensinado ou que consideramos ser correcto. Temos de ter cuidado com isso, pensar antes de abrir a boca. Porque mesmo que uma pessoa tenha uma atitude muito má, nós não somos ninguém para julgar e criticar sem saber os motivos. É tudo muito relativo. Por exemplo, há pessoas que dizem que o café faz bem e outras dizem que faz mal. Faz bem a umas e mal a outras. Só isso. Simples. Porque as pessoas são todas diferentes e metem-nos todos no mesmo saco. Não pode ser! Temos de aprender a respeitar as diferenças. É fundamental!
Acima de tudo, a grande conclusão a que cheguei é: a maioria fala do que não sabe, anda tudo cheio de medo de tudo. Estamos focados no lado negativo. E só quando partimos para a descoberta é que podemos tirar conclusões. As nossas próprias conclusões. Cada um com as suas. Viva a diversidade!

10 - Para terminar, o que tens a dizer a quem ainda não ganhou coragem suficiente para se lançar à aventura?
Amigos, sigam!! Não pensem. Façam o que têm vontade de fazer. Não pensem, não se preocupem, não façam filmes, não sofram por antecipação. Arisquem! Boa viagem!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Para o meu futuro namorado

Meu amor, 
(Permite-me que te trate assim, pois irei faze-lo, mais cedo ou mais tarde.)
Neste momento, eu não sei quem tu és e tu não saberás quem eu sou. 
Estás numa qualquer parte do mundo e eu estarei numa outra qualquer. 
Sabe apenas que irei amar-te, caso contrário, não te chamaria assim. Não será de um dia para o outro, e mesmo que seja não irei admiti-lo, portanto, sê paciente comigo. 
Tenho um coração frágil que terás de tratar “como quem lida com ovos”, peço-te que não o deixes cair, pois se deixares, nunca mais o terás, acredita. 
Vais sentir que não confio em ti, inúmeras vezes, vais chamar-me ciumenta e eu vou irritar-te apenas com a minha presença. Terás de ser tu a oferecer-me a segurança de que necessito. 
Tenho uma coleção enorme de defeitos, mas terás de os amar a eles também para seres merecedor do meu amor. Ou ficas com o pacote todo ou então esquece. As minhas qualidades qualquer um sabe admirar, os meus momentos bons qualquer um quer partilhar comigo. 
Sou pessimista e sofro muito por ansiedade, terás de encontrar uma forma de me acalmar sempre que eu precise.
Se o dia me correr mal irás ver-me de mau humor e com alguma arrogância, até. Embora passados poucos minutos reconheça que agi mal e te vá pedir desculpa e recompensar-te pela minha atitude negativa. 
Serei extremamente compreensiva contigo, mesmo que isso me mate por dentro, irei esforçar-me por aceitar todos os teus defeitos e falhas. 
Irei dizer-te montes de lamechices e exigir que as retribuas, mas também irei gozar contigo e achar piada quando gozares comigo. 
Dar-te-ei milhões de beijos e abraços e quererei passar o máximo de tempo contigo, embora passe a vida a queixar-me que não tenho tempo para nada. 
Mudarei alguns hábitos por ti, se assim tiver que ser. 
Serei, acima de tudo, tua amiga e farei o que estiver ao meu alcance para que te sintas bem e feliz. Vou sofrer se te vir doente, ainda que seja apenas uma constipação e vou ficar radiante sempre que obtenhas sucesso em algo. 
Sei que vou amar-te, porque se não amar, nunca chegaremos a este ponto. Mas sabe que não será fácil. 
Neste momento, respiro liberdade e não me vejo em esquemas amorosos. Em ilusões, em nada disso. Se me quiseres de verdade, terás de conquistar-me lentamente e com dedicação máxima, sem um único passo em falso, terás de ser (muito!) paciente e delicado comigo. 
Vivo desiludida com as pessoas e desacreditada em tudo o que possas imaginar. Cabe a ti mudar isso e fazer-me acreditar. Ou isso, ou nada. 
Talvez existas num canto da humanidade e estejas, sem saber, à minha espera, tal como eu estou à tua. Não vou procurar-te, encontra-me. 
Amar-te-ei muito…

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Querida Coimbra

Tu não me conheces e eu mal sei o teu nome. 
Em breve, encarar-me-às e eu ti. 
Todos os que te conhecem, caem in love por ti. 
Será que o mesmo irá acontecer comigo? 
Excecionalmente, desejo ser como os outros. 
Desejo, também eu, amar-te e deixar-te viver eternamente num cantinho especial do meu coração. 
As expetativas, não nego, são altas. 
Espero que me acolhas no teu coração e cuides de mim como eu precisar. 
Estou aqui, de braços abertos, disposta a abraçar-te com força e sem intenções de te largar. Posso recostar-me, também, nos teus braços? 
Diz-me que sim...