sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Não se amam as ausências

-Amo-te 
Silêncio. 
-Entendes o que quero dizer? 
Indagações mentais. 
-Amo-te, neste momento. 
Agora percebes. 
O amor floresce em cada momento. Não é o mesmo amor que nos acompanha em vários momentos. Amamos no momento. Passado o momento não amamos mais, a não ser as memórias que ficaram desse momento. 
-Amo-te, neste momento 
Neste momento em que me deixo envolver pelo calor dos teus braços e em que te beijo apaixonadamente. 
-Amo-te 
Amanhã já não te vou amar. Daqui a uma hora já não te hei de amar se já não estiveres comigo. Não podemos amar ausências. Não amamos as pessoas quando elas não estão connosco. Amamos cara a cara. Não amamos as pessoas pelas mensagens que nos enviam, amamos o sorriso que permitem o nosso rosto estampar, a sensação de felicidade que provocam em nós.
-Amo-te tanto! 
Amamos intensamente, com toda a força, com toda a dedicação, porque o amor nunca esgota, e quanto mais se exercita mais se tem. Amamos no momento. Depois do momento, só amamos as memórias. E só amamos as memórias quando nos lembramos delas. Não amamos todas as memórias ao mesmo tempo porque não pensamos em todas ao mesmo tempo. Amamos e desamamos conforme o contexto. 
Amamos porque somos humanos e temos esta capacidade única de amar. 
Temos, porém, que perceber que o amor não é como nos ensinaram os contos de fadas. O amor não é um "para sempre", o amor é momentâneo por mais reles que possa soar esta afirmação. 
Não nos sentimos sempre da mesma forma. Por vezes, sentimo-nos felizes, noutras vezes, sentimo-nos tristes. Nenhuma felicidade dura sempre, nenhuma tristeza é eterna, o mesmo acontece com o amor. Sentimo-nos amantes durante alguns momentos. Noutros momentos, existirão outras sensações para saborear. Por vezes, misturamos algumas. Tudo bem. Um misto de sentimentos nunca matou ninguém (penso eu). 
-Amo-te, ok? 
A única opção é assentir. O amor dá-se e recebe-se. No momento. 
Desilusões amorosas não são, contudo, mitos. Existem. Quando nos focamos demasiado no amor que sentimos pelas memórias que alguém nos deixou, quando criamos ilusões, quando nos mentem. 
-Vou amar-te para sempre - isto nunca se diz!! 
-Amo-te - quando te disserem isto, lembra-te: é no momento, não é para sempre!, não te comeces já a iludir. 
Pronto. Assim ninguém se ilude. Amamos no momento. Depois do momento, é seguir em frente. Temos recordações, vamos amá-las de vez em quando até que fiquem calcadas por novas recordações, novos momentos em que amamos.
Amar não pressupõe qualquer compromisso. Portanto, podemos amar assim. Só não temos que enganar ninguém. E ninguém tem que se iludir. 
Um amo-te é dito no presente. Passado uma hora, esse presente já é passado. 
-Amo-te 
-Amo-te 
Amemos em cada momento. Amemos com todo o coração, com todo o amor, sem pensar, sem reclamar. 
Mas amemos as pessoas e paremos de amar as memórias. 
Agarramo-nos às memórias do passado e ficamos cegos para o presente. 
Amar é um verbo que só se deve conjugar no presente. 
-Amo-te 
Jamais 
-Amei-te 
Nunca
-Amar-te-ei.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Escreve-me. Ou lê-me.

És a peça em falta. Tu que eu não sei quem és. Tu que estás algures fora ainda da minha vida. Tu que eu procuro incessantemente em noites de insónias. Tu de quem eu sinto a falta nos meus momentos de nostalgia profunda (é de ti, certamente). Tu que me deixas vulnerável com a tua ausência. Tu. Apenas tu. 
Por onde andas, mesmo? Vais contar-me quando cá chegares, não vais? Eu vou querer saber. Vou indagar!, prepara-te. 
Não te peço muito. Apenas que me ames e me deixes amar-te. Apenas que me completes.
És capaz? Serás? 

Escreve-me. Ou lê-me. 
Não imaginas como me apaixono facilmente por palavras. Os gestos são bonitos, encantam. Mas as palavras apaixonam. A delicadeza de uma frase pode superar a de um braço ou a de um beijo.
Se não te deres bem com a escrita, então, lê-me. Até porque posso escrever para ti. Queres? Eu iria gostar muito, tenho a certeza. 
Não é pedir muito pedir que me escrevas ou que me leias, pois não? Não pode ser. Aliás, até faculto duas opções. Ou me escreves. Ou me lês. Podes escolher. 
Já te escrevo e ainda não me lês. Mas um dia vais ler. Se não leres, vais escrever-me. É para ti que escrevo, para ti que hás de ler, a menos que me escrevas. 
Podes ler-me no silêncio das minhas palavras, por vezes. Podes ler-me na calmaria do meu olhar, ou na sua confusão, será conforme. Podes ler-me das minhas atitudes de amante. Podes, se quiseres, ler-me nos meus sonhos, nos meus medos.
Acredito que escrever-me seja uma tarefa mais penosa. Afinal de contas, sou extremamente crítica e poucos autores me agradam.
Vou escrever-te com toda a minha inspiração. E tu vais ler-me. E eu vou ficar grata e feliz por isso. Oxalá tu também fiques (feliz).

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

"Quando não nos lembramos simplesmente achamos que não existimos" - Patrícia Rebelo

Patrícia Rebelo é autora do livro "Um Dia Disseste Que Eu Devia Escrever Um Livro"  - um relato sentido de uma jovem que perdeu dois anos de memórias, tendo que enfrentar uma vida da qual não se recorda. 
A autora com o seu livro
A escrita é, para ti, um refúgio ou vai além disso? 
A escrita, para mim, é um refúgio. É o tentar expressar os meus sentimentos, é o tentar resolver os meus problemas e conseguir encontrar alguma resposta para eles, mesmo que tenha que ser eu a dar essa resposta.

"Um Dia Disseste Que Eu Devia Escrever Um Livro" - porquê este título? 
Porque foi, efetivamente, isso que o Diogo me disse. Este livro é muito acerca do Diogo, que é o rapaz com quem eu namorei, e é muito direcionado a ele, quer eu queira quer não. Eu andei muito às voltas com o título, a certa altura não sabia que título colocar. Mas, um dia, escrevi um texto que se chamava "Um Dia Disseste Que Eu Devia Escrever Um Livro" e foi do género: É este!

Sentes que deste demasiada importância ao Diogo? 
Sim. Mas toda a gente dá demasiada importância ao primeiro amor, portanto...

"Cartas À Tua Ausência" era, inicialmente, o nome da tua página no facebook. Que tipo de conversas podemos ter com a ausência?
Várias. Eu com a ausência do Diogo tive bastantes. As primeiras foram conversas de raiva do género: porque é que ele estava ausente? porque é que ele não dava um passo para estar presente? Depois foi deprimir por causa dessa mesma ausência. Há muitos textos em que tu deprimes e consegues criar ali qualquer coisa. E, efetivamente, depois é o bater a porta e: "ok, minha amiga, vamos ter uma conversa a sério por tudo aquilo que eu passei", e resolver o assunto. 

Escrever sobre sentimentos é um ato de coragem ou desespero? 
Nem uma coisa nem outra. Há pessoas que me disseram que era de coragem por expor os meus sentimentos. Outras pessoas disseram-me que seria um bocadinho de desespero. Eu não acho que seja nenhum dos dois. Eu acho que cada pessoa arranja uma forma para se conseguir resolver, naquele momento aquela foi a minha forma. Portanto, foi uma forma de resolução.

Acreditas no amor? Sentes-te capaz de voltar a amar? 
Sim. Até aqui não conseguia porque tinha sempre o Se. Se fosse com o Diogo, se resultasse... Neste momento, isso já não acontece. No entanto, o rapaz que vier agora vai ter que provar muita coisa. Não chega dizer: "olha eu gosto muito de ti, vai ser para sempre" porque isso já não pega. 

Se pudesses voltar atrás e escolher, evitarias a perda da memória ou sentes que aquilo que acabaste por ganhar com isso superou dois anos de memórias esquecidas?
Isso é uma pergunta complicada! A perda de memória não foi algo que eu escolhi. Antes da perda da memória sei que tomei decisões minhas das quais estava muito segura. Se calhar, se não tivesse perdido a memória ainda estaria com o Filipe, todos diziam que tínhamos um namoro firme. Mas se calhar também não tinha dado origem ao livro, não me tinha descoberto na escrita, que tinha sido uma coisa que eu tinha deixado um bocadinho para o lado. No meio disto tudo, já aprendi a lidar com a perda da memória.

É difícil, para ti, imaginar como é que seria se não tivesses perdido a memória?
Sim. Sim até porque para isso teria que colocar o Filipe e uma data de situações que para mim não existiram e existem só porque as pessoas me dizem que existiram, mas aquilo que eu fiz quando perdi a memoria foi voltar ao Diogo, que era aquilo que eu conhecia. Por isso, se não perdesse a memória não sei o que havia ali, portanto, não faz sentido ponderar sobre isso. 

"Como sobrevivemos quando já não nos lembramos de quem somos?"
Não sobrevivemos. Este livro é a prova disso. Tenho um capítulo, que é o 56, que fala exatamente da perda da memória e mostra que não conseguimos sobreviver, vamos lidando com isso, reconstruindo a nossa vida. Mas não sabemos o que há ali para aprender. Por exemplo, não vejo a minha vida agora a fazer planos, também não acho que seja uma questão de sobrevivência, mas uma questão de defesa. Quando não nos lembramos simplesmente achamos que não existimos, há uma parte que não é nossa, há uma vida que não é nossa e toda a gente diz que é. Termos que lidar com isso é desesperante e não conseguimos viver nem sobreviver com isso. Quando conseguimos encaixar isso e chegamos ao ponto de "ok, de facto temos que lidar com isto porque isto aconteceu, eu perdi a memória, há uma vida de que não me lembro, vamos encaixar isso" é muito complicado. Eu olhava para as fotografias e não achava que era eu, não me lembrava. Por isso, não se sobrevive. É apenas um dia de cada vez. Este livro mostra isso. Acabamos por não fazer planos e o futuro é um dia de cada vez. Vamos vivendo.
Cátia Cardoso Entrevista Patrícia Rebelo

Não perdoo os contos infantis!

Nunca vou perdoar o mundo, a sociedade, as pessoas, pela forma como me iludiram. 
Dizem que a adolescência é a fase das questões. Quem somos? O que é a vida? O que queremos ser? Etecéteras. Etecéteras. Questões mais profundas que nos levam para reflexões, desilusões. 
Porquê? Porque a infância é a fase em que nos iludem de todas as formas e feitios. 
Há algum conto infantil que tenha um final triste? Não. Porquê se na vida o que mais há em falta são finais felizes? Qual é a necessidade que há em que se iludam as crianças? Está bem que é bonito olhar para trás e recordarmos a infância como a fase mais feliz da nossa vida. Acontece que, quanto mais feliz é a infância, quanto mais iludidos somos, mais desilusões teremos, depois, que enfrentar. Mais sofreremos no futuro. Porque é que iludem tanto as crianças? 
Nunca escrevi para crianças. E muitas vezes já mo pediram. Ainda não o fiz, porque não sei como o fazer. Não quero iludi-las com contos de fadas que terminam com um "viveram felizes para sempre." De onde vem esta expressão? Dos contos infantis! Sim, é tudo muito lindo e mesmo em adultos todos adoram recordar estes contos. Mas vocês acreditam em finais felizes? Ou a vida mostrou-vos que estes são apenas utopia? A vida não vos provou o quão utópicos são os contos da vossa infância? Gostastes, pois, de enfrentar a realidade tal como ela é, com todas as suas consequências e dores? Não me parece... 
Claro que é díficil explicar a uma criança que a vida não é como sempre queremos. Mas dizer-lhes constantemente que tudo é maravilhoso não é o mais correto. Deve, sim, explicar-se-lhes, aos poucos, num processo gradual, que nem sempre as coisas acontecem como queremos. Às vezes sim, mas outras vezes não. Para conseguirmos aquilo que queremos temos que lutar muito e, por vezes, uma grande luta não é suficiente. 
Podemos ser felizes. Mas não completamente felizes. Haverá sempre algo em falta. Não se pode ter tudo. Por vezes, temos que fazer opções. Abdicar de umas coisas em prol de outras. 
Se isto fosse explicado às crianças, que progressivamente entenderiam, haveria, na sociedade, menos jovens deprimidos e desiludidos com a vida. 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Que dezembro é este!?

Estamos em dezembro e eu estou triste: não há chuva. 
Tenho saudades dos dias chuvosos, de sair de casa acompanhada pelo meu guarda-chuva e de voltar, à noitinha, semi-encharcada. 
Este ano está a ser muito diferente. É dezembro e não há chuva, nem neve...! Os dias têm sido solarengos e eu não estou a gostar. Porque é que está tudo tão desorganizado? Não chove este inverno? 
Está tudo a perder a piada, assim. 
E eu estou entediada. Quero chuva. Onde posso pedir o livro de reclamações para expressar o meu desagrado perante a sua ausência? 
O outono está perto do fim e tem sido um outono excessivamente seco... Bonito, como todos os outonos, mas muito deprimente. 
Está tudo tão estranho. 
2015 está a ser estranho. Este outono está a ser estranho. E dezembro, está-se mesmo a ver, vai ser estranho. 
Estranho é diferente. Mas este não é um diferente positivo. Nenhum diferente o é. Diferente não é algo que possa caraterizar-se como negativo ou positivo. Simplesmente, estranho é um diferente mais negativo do que positivo. 
E este dezembro, este outono, este ano estão a ser muito estranhos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sou livre... Tão livre que me sinto sozinha.

Sou um ponto pequenino e escuro numa cidade grande e iluminada.
Sou livre... Tão livre que me sinto sozinha. 
Ouço as rodinhas da minha mala sobre os paralelos da calçada. 
Olho à minha volta. Em dois segundos, duas mil perguntas aparecem no meu pensar. São tantas que tenho dificuldade em percecioná-las, quanto mais em responder-lhes, a todas.
É tudo novo e até mesmo estranho. 
A cidade. As pessoas. Aquele sítio a que chamamos casa. 
Mil e uma emoções percorrem o meu corpo. Sinto frio. É mania minha usar vestidos e saias no inverno. Gosto mais. Mas esta cidade é fria. 
É, ainda assim, talvez a única cidade cujo frio acolhe. 
Embrulho o pescoço no cachecol e mergulho nele o queixo, cobrindo os lábios. O vento baloiça-me os cabelos. Tenho que os cortar. Estou saturada deste cabelo comprido. É bonito e eu gosto, mas dá trabalho e está sempre igual, preciso de mudar!
Olho à minha volta. As perguntas são já cerca de três mil. Não lhes sei responder e isso leva-me a um estado de frustração. 
A frustração é quase já desespero e, num misto de emoções, as lágrimas surgem. Surge também o autocarro. Passo a mão sobre o rosto a fim de o secar e entro no autocarro. Ainda tenho que terminar alguns trabalhos para entregar amanhã.

domingo, 29 de novembro de 2015

Saudade Esquecida

Como é possível que as pessoas esqueçam tão facilmente? Esquecem o que dizem, o que fazem e, pior, esquecem-se umas das outras... Esquecem momentos, atitudes, palavras, amizades. Como se esquecem os sentimentos? Como se esquece algo cuja definição é o sentir e não o definir!? É difícil de entender e, pior, é difícil de aceitar. 
Saudade é uma palavra que não existe em todas as línguas. Agora percebo. As pessoas não sentem saudades? Não. Nem todas as pessoas sentem isso. Então, esta palavra não deveria existir apenas em algumas línguas, mas sim em algumas pessoas, naquelas que conhecem a dor da saudade, sim, porque a saudade dói, mas as pessoas esquecem-se disso. 
O termo saudade é, contudo, injusto. Existe para uns que não sentem e não existe para outros que, às tantas, até sentiriam...
As pessoas esquecem-se de sentir saudades. Talvez não queiram, talvez não tenham tempo para isso. 
É pena. 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Amores de Outono

A chuva cai. Cada pingo de água transporta mais aconchego que o anterior. 
Porque só se fala em "amores de verão"? É proibido amar no inverno? E no outono? 
As folhas acastanhadas que esvoaçam em redor da árvore estão apaixonadas. Só podem estar. Que outra razão as levaria a voar, incansavelmente, só porque o vento assim decretou? Aposto que estão todas apaixonadas pelo vento. Esse senhor com ar de altivez mas, desenganem-se, é um cavalheiro e tudo o que faz com as folhas serve para lhes mostrar que a vida não é só estar-se pendurada num ramo de uma árvore, aconchegada pelos frutos. Há a possibilidade de viajar, de conhecer outras árvores e outras folhas, todas diferentes. 
Amores de Outono. Aposto que são mais verdadeiros que os de verão. 
As árvores despem-se, exibindo a sua essência. Os seus ramos quebram, só os mais fortes resistem. As folhas viajam, o vento é o seu guia turístico. 
Humanamente falando, o amor, no outono, assume uma dimensão mais afetuosa, mais pura, é seguro dizer. 
Amores de verão... O que são rascos e passageiros amores de verão comparados com o requinte dos avassaladoramente inesquecíveis Amores de Outono? 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Chamam-lhe outono...

Vagarosamente, 

Como quem caminha, de noite, pela casa fora

E teme acordar a família que já dorme,

Desprende-se uma folha da árvore semi-despida.

Não sente pudor em expor-se,

Apesar da idade já avançada.

Solta-se uma e outra folha

E a árvore fica integralmente nua...

Chamam-lhe outono.

Não é bonito e repleto de sensualidade!?

sábado, 3 de outubro de 2015

E tu, podes morrer agora!?

Podes morrer agora? Podes simplesmente fechar os olhos e morrer?
Vais responder que não, porque nunca se está preparado para morrer. Não te vou julgar. A resposta da maioria seria, certamente, a mesma. Mas alguém tem de ou deveria estar preparado para morrer? Não tem de, nem deve, mas pode estar. 
A morte é o ponto fulcral da vida. Mas a morte nem faz parte da vida, não é? Pois é, mas é a morte que faz a vida valer. 
Porque é que queremos viver e ser felizes? Porque vamos morrer.
Porque é que temos objetivos, sonhos? Porque vamos morrer.
Queremos fazer mil e uma coisas antes de morrer. Queremos sentir que a vida valeu a pena. E é nesses momentos, quando sentimos que a nossa vida já valeu a pena, que podemos morrer.
Infelizmente, a vida está repleta de altos e baixos. Há dias em que sentimos necessidade de criar novos objetivos, em que vemos injustiça em nosso redor e há também dias em que sentimos que tudo faz sentido, em que a felicidade toma conta de nós e em que podemos morrer. Sentes que até àquele momento nada foi em vão, estás feliz e sentes que tens a maior sorte do mundo por estares a viver determinada situação, se morresses, morrerias com a certeza de que a tua vida havia valido a pena. 
Percebes? Já tiveste algum momento assim na tua vida, em que poderias morrer? 
(Eu já. Eu podia morrer agora...)
O grande propósito da vida, é, afinal, a morte. Nós nascemos para morrer. Há que tomar consciência disso. Tu vais morrer. E se não sentes que podia ser agora, faz por sentires. Porque, um dia, irás olhar para trás e ver que as tréguas da morte não foram suficientes para teres feito a tua vida valer a pena. Não interessa se vives vinte ou oitenta anos, interessa, sim, que não tenha sido em vão. 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Porque paramos de correr?

O tempo escapa por entre as entranhas dos dedos, enquanto cerramos os punhos na esperança de o segurar para sempre.
É um erro pensarmos que o tempo nos pertence. O tempo não nos pertence, o que nos pertence são os momentos que o tempo nos proporciona, esses, sim, são nossos, se quisermos.
À medida que o tempo passa, proporciona-nos momentos que visam desculpabilizar-se pela sua efemeridade. Mas será que consegue!? Será que os momentos que o tempo nos proporciona são suficientes para perdoarmos a sua brevidade!? Será que isso depende de nós, que devemos aproveitar cada momento ao máximo!?
Excomungamos tantas vezes o tempo por nos encaminhar tão diretamente para a eternidade e nem paramos para pensar que a culpa não é do tempo, mas nossa, que não lhe atribuímos o justo valor.
Porque se o tempo não espera porque é que nós paramos de correr? 

domingo, 20 de setembro de 2015

Conversa com: Vânia Tavares - a escrita...e as viagens!

Vânia Tavares publicou o seu primeiro livro em 2011, com 19 anos. "A Formiguinha Leonor", um livro infantil, que superou as suas expetativas. Em 2015 começou a viajar "confiando nas pessoas e no mundo.". 

1-Quando e como é que tudo começou? A tua paixão pela escrita...e por viajar?
A minha paixão pela escrita começou desde que aprendi a escrever. Ou, talvez, antes. Porque comecei a falar cedo (e a caminhar tarde) e, portanto, quando não se sabe escrever, pode-se falar. Ou seja, comecei a expressar-me desde muita pequenina e a escrever desde os 6/7 anos. A partir daí, comecei a escrever no primeiro diário e apaixonei-me logo por essa forma de comunicação. A paixão por viajar eu não sei muito bem. Penso que sempre gostei! Mas, antigamente, achava que era necessário muito dinheiro, até que me comecei a informar e a pensar e percebi que é possível viajar com muito pouco dinheiro! Além disso, podemos viajar na nossa cidade, no nosso bairro, até na nossa rua. Muitas vezes, apenas andamos. Nem caminhamos e, muito menos, viajamos.

2 - O teu primeiro livro "A Formiguinha Leonor" superou as tuas expetativas?
Sim, superou! Ainda bem que o escrevi! Fez-me acreditar que quando fazemos o que gostamos e investimos nisso, temos sucesso. Estou muito contente com o resultado.

3 - No dia em que saíste pela primeira vez de casa para viajares sozinha, o que sentiste ao sair porta fora? 
Ui, tantas emoções ao mesmo tempo! Acho que foi o dia mais atribulado emocionalmente da minha vida. Na noite anterior, mal dormi. Estava desejosa que chegasse o grande momento. E quando me levantei e pensei "É agora, segue" foi... incrível. Senti-me muito, muito, muito positiva, com muita confiança. E, ao mesmo tempo, pensava: "A sério? a sério que isto está mesmo a acontecer?". Eu nem estava bem a acreditar! E, claro, senti uma liberdade enorme. Foi mesmo: "Pronto, Vânia, agora vai e faz o que quiseres". Tinha todas as possibilidades, todos os caminhos. Estava comigo, podia decidir o que quisesse a qualquer momento.

4 - As pessoas com quem te cruzas nas viagens costumam ler o que escreves? O que te dizem sobre isso?
Eu cruzei-me com não sei quantas pessoas, mesmo muitas! Portanto, é provável que muitas delas nem saibam que eu escrevo. É engraçado porque há pessoas com as quais desenvolvi grandes conversas, outras que nem sei o nome delas. As pessoas são todas muito diferentes, reagem de forma diferente e relacionam-se com as outras de forma diferente. Mas, aquelas com quem conversei mais, passaram a ler aquilo que eu escrevo e interessaram-se. É um bocado estranho dizer o que me dizem sobre isso. Mas, por exemplo, como escrevi um livro infantil, existe sempre aquela situação: "Ah, que giro! Gostava de ler, vou oferecer à minha sobrinha, aos meus netos, à minha amiga que tem um filho, etc, etc".

5- Inicialmente , fizeste couchsurfing, como foi essa experiência? 
Foi muito positiva, mesmo!! Conheci pessoas muito interessantes, muito diferentes umas das outras! E eu acho que é isso que nos faz viver e aprender - lidar com as pessoas. Passei por experiências incríveis, mesmo. E tenho a certeza que não ia passar, se não tivesse feito couchsurfing. Gostei bastante de me adaptar aos hábitos das pessoas, aprendi muito com cada pessoa. Lidei com pessoas muito conversadoras, pessoas mais caladinhas, pessoas do campo, pessoas da cidade, pessoas mais velhas, mais novas, pessoas com diferentes gostos e comportamentos. E, claro, não se pode estar à espera de nada. Nunca sabemos o que esperar! Cada pessoa é uma pessoa, com toda uma história.
Fotografia de Inês Martins Almeida
6- Atualmente, além de escrever e viajar, estás envolvida noutros projetos ou trabalhos?
Infelizmente, não. Mas gostava de estar. Eu tenho muitas ideias, muitos projetos que gostava de desenvolver, mas sinto que me falta sempre qualquer coisa. "Não sei o que quero, mas sei o que não quero", é mais ou menos isto. Falta-me organização. Preciso de definir melhor o meu caminho. Mas isto já são outros assuntos (risos). 

7-Escrever e viajar. Achas que é possível sustentares-te dessa forma para o resto da tua vida? 
Ui, quem me dera! Será que sim? Era mesmo bom!! Isso era tudo o que eu queria! Ser escritora de viagens? Parece-me muito bem! (risos)

8 - Ambicionas publicar um novo livro, noutro ou no mesmo género? Já tens alguma ideia ou nada, por agora? 
Sim, eu já estou a escrever um livro chamado "Na medida errada". Não é infantil. Aborda temas como relações, infância, família, personalidade.

9 - O que mudou na tua personalidade depois das viagens? E na tua vida?
Bem... Em primeiro lugar, percebi que nós, pessoas, damos importância a coisas que não têm, mesmo, importância nenhuma. E comecei a relativizar muito os acontecimentos. Ou seja, quando estás em viagem, apenas te importas com um sítio para dormir, comida e aproveitar tudo ao máximo. Perdes os complexos, as ideias pré-concebidas, a vaidade. 
Por outro lado, entendi que é mesmo possível viajar para onde quisermos! As pessoas é que não estão habituadas a isso. Porque estão cheias de medo. Podemos andar à boleia, a pé, de bicicleta... Podemos acampar de graça em imensos sítios, podemos fazer couchsurfing, trabalhar em sítios que nos pagam com dormida e comida... Sei lá, tantas possibilidades! Podemos aproveitar o nosso talento para ganhar algum dinheiro - como cantar na rua, ou tocar algum instrumento ou propor algum trabalho. Basta puxar pela cabeça!
E também comecei a dar muito mais importância à minha intuição. Não me preocupo quando parece que não há solução, porque há sempre! Acontece sempre alguma coisa, aparece sempre alguém que pode ajudar. Nós não andamos aqui sozinhos, Está tudo interligado, temos é de nos deixar levar.
E, agora, dou muito, muito mais valor ás pequenas coisas! São essas consideradas "pequenas" que são as grandes. Muitas delas, passavam-me ao lado. Mas, realmente, o ser humano, precisa de muito pouco para ser feliz. Nós é que inventamos coisas na nossa cabeça e criamos necessidades. Outra coisa: Nós (Todos nós) temos tendência a ver as situações para o nosso lado, de acordo com aquilo que nos foi ensinado ou que consideramos ser correcto. Temos de ter cuidado com isso, pensar antes de abrir a boca. Porque mesmo que uma pessoa tenha uma atitude muito má, nós não somos ninguém para julgar e criticar sem saber os motivos. É tudo muito relativo. Por exemplo, há pessoas que dizem que o café faz bem e outras dizem que faz mal. Faz bem a umas e mal a outras. Só isso. Simples. Porque as pessoas são todas diferentes e metem-nos todos no mesmo saco. Não pode ser! Temos de aprender a respeitar as diferenças. É fundamental!
Acima de tudo, a grande conclusão a que cheguei é: a maioria fala do que não sabe, anda tudo cheio de medo de tudo. Estamos focados no lado negativo. E só quando partimos para a descoberta é que podemos tirar conclusões. As nossas próprias conclusões. Cada um com as suas. Viva a diversidade!

10 - Para terminar, o que tens a dizer a quem ainda não ganhou coragem suficiente para se lançar à aventura?
Amigos, sigam!! Não pensem. Façam o que têm vontade de fazer. Não pensem, não se preocupem, não façam filmes, não sofram por antecipação. Arisquem! Boa viagem!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Para o meu futuro namorado

Meu amor, 
(Permite-me que te trate assim, pois irei faze-lo, mais cedo ou mais tarde.)
Neste momento, eu não sei quem tu és e tu não saberás quem eu sou. 
Estás numa qualquer parte do mundo e eu estarei numa outra qualquer. 
Sabe apenas que irei amar-te, caso contrário, não te chamaria assim. Não será de um dia para o outro, e mesmo que seja não irei admiti-lo, portanto, sê paciente comigo. 
Tenho um coração frágil que terás de tratar “como quem lida com ovos”, peço-te que não o deixes cair, pois se deixares, nunca mais o terás, acredita. 
Vais sentir que não confio em ti, inúmeras vezes, vais chamar-me ciumenta e eu vou irritar-te apenas com a minha presença. Terás de ser tu a oferecer-me a segurança de que necessito. 
Tenho uma coleção enorme de defeitos, mas terás de os amar a eles também para seres merecedor do meu amor. Ou ficas com o pacote todo ou então esquece. As minhas qualidades qualquer um sabe admirar, os meus momentos bons qualquer um quer partilhar comigo. 
Sou pessimista e sofro muito por ansiedade, terás de encontrar uma forma de me acalmar sempre que eu precise.
Se o dia me correr mal irás ver-me de mau humor e com alguma arrogância, até. Embora passados poucos minutos reconheça que agi mal e te vá pedir desculpa e recompensar-te pela minha atitude negativa. 
Serei extremamente compreensiva contigo, mesmo que isso me mate por dentro, irei esforçar-me por aceitar todos os teus defeitos e falhas. 
Irei dizer-te montes de lamechices e exigir que as retribuas, mas também irei gozar contigo e achar piada quando gozares comigo. 
Dar-te-ei milhões de beijos e abraços e quererei passar o máximo de tempo contigo, embora passe a vida a queixar-me que não tenho tempo para nada. 
Mudarei alguns hábitos por ti, se assim tiver que ser. 
Serei, acima de tudo, tua amiga e farei o que estiver ao meu alcance para que te sintas bem e feliz. Vou sofrer se te vir doente, ainda que seja apenas uma constipação e vou ficar radiante sempre que obtenhas sucesso em algo. 
Sei que vou amar-te, porque se não amar, nunca chegaremos a este ponto. Mas sabe que não será fácil. 
Neste momento, respiro liberdade e não me vejo em esquemas amorosos. Em ilusões, em nada disso. Se me quiseres de verdade, terás de conquistar-me lentamente e com dedicação máxima, sem um único passo em falso, terás de ser (muito!) paciente e delicado comigo. 
Vivo desiludida com as pessoas e desacreditada em tudo o que possas imaginar. Cabe a ti mudar isso e fazer-me acreditar. Ou isso, ou nada. 
Talvez existas num canto da humanidade e estejas, sem saber, à minha espera, tal como eu estou à tua. Não vou procurar-te, encontra-me. 
Amar-te-ei muito…

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Querida Coimbra

Tu não me conheces e eu mal sei o teu nome. 
Em breve, encarar-me-às e eu ti. 
Todos os que te conhecem, caem in love por ti. 
Será que o mesmo irá acontecer comigo? 
Excecionalmente, desejo ser como os outros. 
Desejo, também eu, amar-te e deixar-te viver eternamente num cantinho especial do meu coração. 
As expetativas, não nego, são altas. 
Espero que me acolhas no teu coração e cuides de mim como eu precisar. 
Estou aqui, de braços abertos, disposta a abraçar-te com força e sem intenções de te largar. Posso recostar-me, também, nos teus braços? 
Diz-me que sim...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O que quer dizer "amo-te"!?

Matilde olhava, orgulhosa, para o seu filho. 

-Amo-te – disse. 
-O que quer dizer “amo-te”, mãe? 
-Quer dizer que gosto muito de ti!
-Então porque não disseste só “gosto muito de ti”?
-Porque amar é gostar muito muito muito, uma infinidade de “muito’s” e assim digo tudo o que sinto numa só palavra.
-Mas podias dizer “gosto uma infinidade de muitos de ti”.
-Podia. Mas amar também é mais do que gostar uma infinidade de muitos. Amar é cuidar, é ter paciência e ser compreensiva. Amar é perdoar e ensinar, é viver e crescer junto. Amar é acolher para sempre. Amar é um sentimento muito forte, indestrutível. Depois de amares alguém, nunca mais será possível voltar atrás e deixares de amar. 
-E tu amas-me?
-Claro que amo, meu filho! 
-E eu também te amo, mãe!?
-Eu acho que sim, mas só tu podes ter a certeza. 
-Eu também acho que sim, que te amo. Mas quando tiver a certeza irei dizer-te, está bem? 
-Combinado, filho. 

Matilde beijou a face do pequeno Eduardo e sorriu. 


Passaram 13 anos, o pequeno Eduardo é já grande com os seus 16 anos. 
Depois de mais um dia de escola, entrou em casa com o verde dos olhos tapados pelas lágrimas. 

-Mãe, a Ângela disse-me uma coisa que não consigo esquecer. 
-O que foi que ela te disse? 
-Disse “Amo-te”.
-Que bom, meu filho. Isso é porque está apaixonada por ti e quer namorar contigo. 
-Também foi isso que eu pensei. 
-Então porque choras, rapaz?
-Porque ontem, cinco semanas depois de lhe ter pedido em namoro e ela ter aceitado, disse-me que já não gostava mais de mim e queria afastar-se. Antes de sair da escola, hoje, vi-a com o Rodrigo e ouvi o que ela lhe disse. “Amo-te”, tal como dissera a mim algumas semanas antes. Ela disse que me amava e depois disse que já não amava e agora disse-lo ao Rodrigo também e se daqui a umas quantas semanas ela disser que já não ama o Rodrigo e decidir amar outro e não pode ser porque não foi isso que tu me ensinaste sobre o verbo amar!
-Oh meu filho, ela não te ama nem nunca te amou e se daqui a umas quantas semanas ela disser que já não ama o Rodrigo também nunca o terá amado a ele. Quem ama, ama para sempre. 

Matilde olhou o filho nos olhos e sentiu o seu coração de mãe doer, como haveria de explicar ao filho a banalização feita a tão grande palavra, a tão grande sentimento?

-Essa rapariga nunca teve ninguém que lhe explicasse, como eu te expliquei, o que quer dizer “amo-te”. 
-Mãe, eu pensei tantas vezes em dizer-lhe que também a amava… Mas não tinha a certeza se era amor, então permaneci calado. Ainda bem que nunca usei essa palavra, não quero que ninguém se sinta como eu me sinto agora, enganado e traído. Só a direi quando estiver certo que será para sempre. 
-Fazes muito bem, meu filho. É por isso que tenho tanto orgulho em ti. E sei que a mulher que ouvir o teu primeiro “amo-te” será a pessoa mais sortuda do mundo!
-Mãe? 

Eduardo limpou as lágrimas e chamou pela mãe.
-Sim, meu querido!?
-Eu amo-te, mãe!

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Abraça-me

Abraça-me. 
Preciso do teu abraço para me sentir forte. 
Choro imensamente na solidão dos meus sentimentos. Motivos diversos. Motivos nulos. Não consigo controlar esta necessidade. 
Olha-me nos olhos e diz que em alguma parte do mundo existe alguém que gostará de mim tal como sou. Eu sei que é difícil, mas preciso de acreditar que é possível. Sei que estou repleta de complicações e que aturar-me será um sacrilégio para qualquer um que o tente fazer, mas eu necessito que haja quem seja capaz. 
Agora abraça-me e deixa que eu permaneça no teu abraço. 
Não sei se consegues ver como me sinto desolada. Consegues!? Então aperta-me nesse abraço e não me largues já. 
Quero perceber, no silêncio do teu olhar, que posso contar contigo. 
Neste momento, não sei onde estás nem quem és. Podes ser a pessoa que mais irei amar na vida, podes ser alguém que se foi embora e não volta, podes ser somente mais uma folha do meu diário inexistente, podes ser apenas o conforto das palavras. 
Não sei quem és, mas abraça-me, só desta vez.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Pensamento(s) do dia

Vou continuar a escrever. Vou continuar a escrever mesmo que seja a única leitora do que escrevo. Vou continuar a escrever mesmo que se queimem todos os livros do mundo. Vou continuar a escrever mesmo que o meu país continue sem valorizar a literatura. Vou continuar a escrever mesmo que nenhuma editora queira publicar os meus livros. Vou continuar a escrever porque, como disse Miguel Sousa Tavares, escrever é o melhor que posso fazer em troca de estar viva. 
Enquanto estiver viva, hei-de escrever. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Entrevista a André Vilar, autor de "Escrita Incerta"

Escrita Incerta - Capa
Com 18 anos publicou o seu primeiro livro – Escrita Incerta – uma coletânea poética. 

André, o que te levou, em primeiro lugar, a escrever poesia? 
Poesia sempre foi algo que gostei de escrever, inicialmente pelo gosto de "brincar" com as palavras e com a rima e mais tarde pela mensagem e poder que a poesia tem. Ao contrário de grande parte das pessoas da minha geração, gosto de analisar cada poema e de me colocar no papel do autor no momento em que escrevia.

E, depois, o que te levou a querer publicar os teus poemas? 
Sobretudo, a vontade de partilhar com o grande público tudo quanto escrevia e, embora tenha um espírito demasiado crítico do meu trabalho, tinha interesse de saber o que esse mesmo público achava.
Não posso, de todo, esquecer-me do papel fundamental que tu e o Tiago tiveram no que diz respeito ao incentivo.

“É tudo tão enigmático e incerto/ Para este ser prematuro”, tu és esse ser prematuro?
Soa-me a familiar...sim, sou eu esse ser prematuro, talvez pela pouca experiência e tenra idade ou então por não saber qual vai ser a minha realidade, o meu futuro, por viver numa incerteza, como todos os homens em alguma parte da sua vida

Escreves sobre diferentes temáticas. Alguma em especial sobre a qual gostes de escrever? 
Gosto de escrever sobre o momento, raramente escrevo sobre o que sinto, e quando o faço uso (e abuso) da imaginação, do irreal. Acho a sociedade e as pessoas tão interessantes que se escrevesse sobre o que sinto, tornava a minha escrita bastante desinteressante.

Consideras-te, como dizes num poema, “Um jovem frágil”?
Quando surgem as fragilidades assumo-as como tal e, mais uma vez, por pouca experiência, vou abaixo e "é inevitável não chorar"... Nunca me sinto derrotado e por muito que a realidade seja crua e dura, acredito que o ir abaixo é a mais eficaz forma de nos erguermos.

Podemos, no teu livro, encontrar algumas críticas a Portugal. Falas de crise, injustiça, emigração, democracia. E dizes que o país está mal. Porque é que achas que Portugal está mal? 
Não critico Portugal, critico todos aqueles que, de alguma forma, contribuíram para que o país esteja mal. Hoje em dia, ouvimos, frequentemente, falar de austeridade, emigração e crise, no entanto, acredito que nos devemos guiar por valores como o respeito e a dignidade.

Escrita Incerta, porquê este título? 
O Autor, André Vilar
Escrita Incerta pelo tema incerto e pela sua diversidade. O nome do livro surgiu através daquele que foi o meu primeiro blog, onde escrevia em vários registos, num tema sempre incerto. Não pré definido, sobre tudo aquilo que me interessa, ou me suscita interesse, desde a política à arte.

Quais são os teus planos para o futuro, as tuas ambições? 
Não acredito num futuro pré definido, normalmente designado por destino. Acredito, sim, num futuro construído à medida de cada um. Ambições tenho bastantes, ambiciono um futuro ligado à comunicação, à cultura e a Arouca. Nunca esquecendo o teatro, encenação e direção de atores que mais recentemente me tem suscitado particular interesse.

Pretendes publicar outras obras, por exemplo, noutros registos? 
Gosto de escrever noutros registos, no entanto não me imagino a publicar um romance, por exemplo. Embora espere que o meu próximo projeto seja uma co-produção, ambiciono ver-me num projeto a solo de poesia ou de crónicas.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

"Amor de Mãe Não Tem Número" - Conversa com a autora, Liliana Fernandes

A temática abordada é algo não muito comum na literatura infantil. 
Liliana Fernandes publicou um livro infantil que fala de questões relacionadas com a adoção por parte de casais homossexuais. 


1. “Amor de Mãe Não Tem Número” é o seu primeiro trabalho enquanto escritora? 
É sim o meu primeiro trabalho oficial/publicado. Embora já tivesse feito alguns rascunhos de outras obras.

2. O que surgiu primeiro: a ideia de escrever um livro para crianças ou a ideia de escrever sobre a adoção homossexual? Ou as duas em simultâneo? 
Foi a ideia de escrever o livro para crianças, porque esta ideia surgiu de uma "necessidade" ... Quem me conhece sabe que adoro e gasto muito tempo em passatempos e foi num desses passatempos que me surgiu o desafio de escrever um livro infantil (coisa que nunca tinha considerado, por ser extremamente complexo escrever para crianças, acreditem!). Não sendo uma pessoa que goste de "escrever por escrever" queria uma mensagem que tocasse num ponto que, para mim, é fundamental e deve ser visto de diferente forma na nossa sociedade.

3. Foi difícil escrever este livro? 
Foi complicado, mas mais fácil do que idealizava. Quem escreve para crianças deve estar ciente de alguns pontos:
- É preciso usar palavras adequadas ao seu nível cognitivo (mas não ser demasiado básico, na minha opinião... torna-se, em parte, estimulante a nível linguístico)
- Nunca sabemos que sentido poderão dar a uma frase;
- Temos de captar a sua atenção em "cada palavra";
- Temos de lhes ensinar algo;
- Não devemos dar enfoque a questões negativas que surjam na história;
Isto de escrever para crianças não é pera doce…

4. Este livro é 100% fruto da sua imaginação enquanto escritora ou é inspirado em algum caso da realidade? 
A história é 100% fruto da minha imaginação com fundamento nalguma pesquisa e conhecimentos sobre situações idênticas que possuo. Também como inspiração tenho junto de mim pessoas que, sendo homossexuais, me dão certezas da sua capacidade para um dia criarem e amarem uma criança, num ambiente que lhes é favorável ao desenvolvimento.

5. Este livro contem uma mensagem para os adultos do futuro. Essa também pode ser uma mensagem para os adultos do presente? 
Completamente! Tenho dito e continuarei a dizer: tenho a certeza que todos os pais irão ler este livro antes de o entregar nas mãos de uma criança e, ainda assim, decidirão fazê-lo. E, na verdade, espero que assim seja para que a mensagem chegue, de facto, aos adultos do presente. 

6. Porém, adoção homoparental é um tema que tem sido muito discutido e continua a ser reprovado por muita gente. Será que todos os pais irão mesmo permitir que os seus filhos leiam este livro? Não teme que algumas famílias não o aprovem? 
Eu não temo partilhar a minha opinião. Cada um tem a sua, na sua liberdade plena de a ter. Não imponho a minha opinião a ninguém e espero a mesma atitude dos outros. Nem todos os pais permitirão. Da mesma forma que uns estimulam os filhos a dizer "obrigada/o" e outros não dão importância ao agradecimento... São modos de educar. O que espero, sinceramente, é que as pessoas compreendam a necessidade de se educar no amor e respeito pelo outro.

7. Que críticas têm sido feitas ao livro? Tanto por crianças como por adultos…
Ao contrário do que esperava inicialmente, a aceitação tem sido enorme! Tanto adultos (de uma faixa etária abrangente, até aos 70's) como crianças, me têm dado um feedback positivo. Mais os adultos, porque as crianças, essas, não veem sequer problema na situação descrita… são simples...

8. Para terminar, onde é possível adquirir o livro?
O livro pode ser adquirido junto de mim, nos momentos de apresentação/promoção, que podem ser acompanhados na minha página;
Online, nos sites:
E brevemente nas livrarias que anunciarei…

domingo, 5 de julho de 2015

Carlota

Meu amor, 
Desculpa não ter ficado para o teu casamento. 
Desculpa por não te ter levado à escola no primeiro dia de aulas.
Desculpa por não ter estado por cá para te dar os conselhos que a tua adolescência exigiu. 
Desculpa por não ter podido cumprir o meu papel de mãe…
Quando leres isto, já terei partido há muito tempo.
Vi-te nos meus sonhos futuristas e eras linda. Quem me dera estar aí para te dar um abraço!
Quando soube que ia morrer em breve, foste a primeira pessoa em quem pensei. Espero que me perdoes por ter estado ausente em quase toda a tua vida. Lembrar-te-ás de mim!?
Estou certa de que o teu pai cumpriu na perfeição o seu papel e até parte do meu. Foi assim, não foi? Eu sei que foi… 
O teu pai foi, sem dúvida, o grande amor da minha vida. Nunca amei mais ninguém. Quando o conheci, percebi que tinha andado enganada a pensar que sabia o que era o amor, mas, na verdade, só o soube a sério quando me apaixonei pelo teu pai. 
És fruto do mais sublime amor, um fruto muito desejado. Eu e o teu pai amamos-te mais do que tudo! 
Infelizmente, eu não pude ficar para te dizer tudo isto, olhos nos olhos, mas sei que ele o fez por mim. Assim como também sei que te terá entregado esta carta, exatamente hoje, no dia em que subirás ao altar. 
Peço-te que peças desculpa aos meus netos por não os poder levar ao parque nem dar longos passeios na praia e comer gelados na esplanada. Por não poder ficar com eles todos os sábados à noite em que irás sair com o teu marido. Por falar nele, espero que te trate tão bem como o teu pai me tratou sempre. 
Escrevo-te do passado para o futuro, com a sensação de presente. Imagino-te vestida de branco e braço dado ao teu pai a desfilar pela igreja. Vejo toda a família a sorrir-te e a dizer-te o quão linda és. Desculpa por não ter ficado para as fotografias…
Tive que sair mais cedo. O meu corpo assim o exigiu. Pela minha alma teria ficado, mas o corpo foi soberano e eu não resisti.
Quero que saibas que te amo do fundo do coração e vou sempre amar mesmo estando fisicamente ausente. 
Beijinhos da tua mãe que teve que ir embora mais cedo. 
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-Carlota!! Eu sei que as noivas chegam sempre atrasadas, mas por este andar ele pensa que desististe. Despacha-te!
Limpei as lágrimas, a maquilhagem tinha saído, mas não me importei. A minha mãe diria que eu estava linda assim. Dobrei a carta e guardei-a na minha mesinha de cabeceira. Depois do casamento, viria busca-la e levá-la para a minha nova casa. Dei o braço ao meu pai e fui. Quem me dera que Deus me desse tréguas e, pelo menos hoje, a minha mãe pudesse estar comigo…

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Madalena

Bruno era um jovem um pouco diferente dos seus colegas de turma. Enquanto que todos eram loucos por correr atrás de uma bola, Bruno tinha uma outra paixão que não o futebol. Uma bicicleta era o único objeto capaz de o fazer sorrir nos seus dias menos bons. Sempre que estava mal, saltava para cima dela e pedalava com toda a força. Por vezes, acabava no chão e com o joelho ou o cotovelo a sangrar, mas nada o fazia sentir-se tão feliz como andar de bicicleta.
Naquela tarde de primavera, tinha recebido uma nota, que considerava péssima, no teste de Português, como estava no 12º ano e queria muito entrar para a universidade e sabia que precisava de alcançar uma boa média, isso deixou-o assaz irritado. Lá foi ele encavalitar-se na sua melhor amiga e descarregar a sua frustração.
Pedalou a toda a força sem parar, e ao final do dia, quando se preparava para regressar a casa, deparou-se com uma jovem, sentada num banco de jardim, com a sublime face coberta de lágrimas, pondo em prática as suas melhores aptidões de amigo, Bruno salta da bicicleta e aproxima-se dela, tentando perceber o que se passava.
- Está tudo bem? - pergunta-lhe, mostrando-se preocupado.
A jovem arregala um pouco os olhos e, limpando as lágrimas, confessa:
- A minha melhor amiga traíu-me.
- Com o teu namorado? - interroga Bruno.
- Não, não tenho namorado. Traiu-me, pois descobri que contava todos os meus segredos à sua outra melhor amiga, com quem eu não tenho a melhor relação...
Bruno, que nunca suportara a traição, tentou a todo o custo animar a rapariga e fazê-la sentir-se melhor (...)
E o tempo avançou, Bruno e Madalena tornaram-se amigos, melhores amigos e a paixão surgiu, seguida do amor.
Ambos seguiram os estudos, ele em medicina, ela em comunicação social. Porém, continuavam amigos, nenhum tivera, ainda, coragem de expôr ao outro os seus sentimentos, a cumplicidade que os ligava era inegável, no entanto, o receio de um amor não correspondido pairava tanto sobre um como sobre o outro. 
Esse receio aumentou ainda mais logo no primeiro ano de faculdade quando Leandro, um colega de curso de Madalena, lhe confessou que a amava, deixando-a perplexa. Bruno foi imediatamente assombrado pelo possível amor de Madalena e Leandro. O seu coração mandava-o confessar, de uma vez por todas, o que sentia a Madalena, mas a sua cabeça dizia-lhe que era uma péssima ideia, uma vez que já o devia ter feito antes, se o fizesse agora que Madalena tinha um pretendente, esta jamais acreditaria nas suas palavras.
Sentiu-se num beco sem saída, por isso, foi à garagem buscar a bicicleta e pedalar o dia inteiro, apenas com uma única refeição. Estava nervoso, confuso, sentia em si um misto de emoções que nem ele sabia ao certo caraterizar. Contudo, com o passar tempo, Bruno acabou por se afastar de Madalena, fazendo-a pensar que, afinal, nem a amizade que tinham era verdadeira. E foi num momento de carência que Madalena aceitou o pedido de namoro de Leandro.
Foi aí que Bruno e Madalena perceberam que os seus destinos não estavam tão cruzados tanto quanto o que pensavam, deixaram de se falar por completo, embora todas as noites adormecessem um a pensar no outro, nenhum era suficientemente corajoso para ir falar com o outro e tentar recuperar a amizade. Bruno pensava que Madalena não o procurava porque apenas queria saber de Leandro e Madalena pensava que Bruno se fartara dela. Mesmo a namorar com Leandro, Madalena tinha noção que não era por ele que o seu coração batia, simplesmente não era capaz de terminar com ele, não o queria magoar, sabia que nao estava a ser correta, mas não era capaz de recuar nas suas decisões. Orgulhosa? Talvez, sim, talvez o estivesse a ser, e muito!
Madalena sentia-se egocêntrica por estar a enganar Leandro, mas logo perdeu essa sensação quando este a traiu com Ângela, uma amiga de curso de Madalena. Bem, na realidade Madalena não se sentiu assim tão traída quanto isso, pois também ela não amava de verdade Leandro, aliás, isto apenas ajudou Madalena a terminar a relação, sem se sentir culpada.
Assim que se livrou de Leandro e Ângela, a primeira coisa em que Madalena pensou foi em falar com Bruno, tal como quando Bruno soube de tudo isto pensou em falar com Madalena. Desta vez, Madalena cedeu e ligou a Bruno, pedindo-lhe para marcar um encontro. Nesse encontro, ambos confessaram, finalmente, o que sentiam um pelo outro e perceberam que foram uns grandes parvos por terem escondido isso durante mais de um ano, pois desperdiçaram imensos momentos de felicidade!
Naturalmente que começaram a namorar e viveram grandes momentos juntos. De facto, o que os ligava era amor, sem qualquer dúvida, embora tivessem deixado que o tempo lhes roubasse bons momentos, agora que os tinham, aproveitá-los-iam de todas as formas. Ou deviam tê-lo feito. (...)
E se hoje escrevo tudo isto é porque tive necessidade de partilhar com alguém a minha história, tanto que fiz o Bruno pedalar, que ele acabou por pedalar para fora da minha vida! Hoje sei que assim que percebi que gostava dele lhe devia ter dito, sei que nunca devia ter namorado com o Leandro, nunca me devia ter dado bem com a Ângela, sei que não devia ter discutido com o Bruno naquele dia. Já se passaram trinta anos desde o dia do acidente e ainda penso nele. Sinto-me culpada por o ter feito pedalar daquela maneira furiosa que o matou.
Conto-vos isto para que não cometeis o mesmo erro, não escondam os vossos sentimentos, libertem-se, só assim podereis alcançar a felicidade perpétua. Eu errei apenas uma vez na minha vida, e com esse erro destruí toda a minha felicidade. Sem o Bruno aqui, não sou ninguém, não passo de uma concha vazia esquecida pelo mar, vivo apenas esperando que a morte me leve para junto da única pessoa que amei em toda a minha vida!

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Carta para o passado

Querido passado, 
Peço-te que me deixes ir, peço-te que me entregues deliberadamente às garras do presente, próximo do futuro. 
Não podes ter-me sempre, desculpa. 
É tempo de ficares sozinho, ou procurares outro alguém para atormentar. (Não, perdoem-me, não quero ser egocêntrica ao ponto de pretender com o meu bem-estar o mal-estar de outrem.)
Estou cansada de viver em ti, e sob todas as tuas condições. Quero ir-me embora, não me proíbas...
Não sou tua, não te pertenço, tens de deixar-me ir. Eu vou, mesmo contra a tua vontade, eu preciso de ir para ser feliz. 
Sabes que arranco de ti as memórias e as levo no meu peito. Sabes que recordo, ainda que tente esquecer, momentos marcantes, de felicidade ou não.
Serás sempre parte de mim, por mais frustrante que isso possa ser. Porém, não queiras assumir todo o comando e controlar toda a minha vida, nada te dá esse direito. 
Terás de deixar-me, um dia, seguir em frente, sabes que vais ficar para trás... Já foste futuro, já foste presente, mas sabes que, agora, nunca poderás voltar a ser mais que passado. Desculpa, mas não dá. Chegou o momento de me libertares, já me prendeste demasiado, não o faças mais... 
Sei que não me dás segundas oportunidades e os erros cometidos permanecerão, impossíveis de se corrigir. Não podes culpabilizar-me eternamente por isso. 
Já perdi demasiado tempo contigo. Não o mereceste. Sei que não posso pedir esse tempo de volta, mas posso impedir que me roubes mais tempo. Tempo. Tempo é tudo o que me preocupa, é tudo o que tenho, neste momento.
E, agora, é tempo de te deixar para trás...
Com nostalgia, eu no presente

terça-feira, 31 de março de 2015

Carta para mim

Querida Eu,
Há tanto que gostava de dizer-te e nunca o fiz. 
Já me desiludiste, já me surpreendeste, já te odiei e já te amei. 
Apesar de tudo, eu ainda acredito em ti e nas tuas capacidades, podes crer.
Ainda acredito que tenhas muito mais para conseguir e que te vás esforçar nisso. 
Tento perdoar-te sempre por tudo, no entanto, por vezes, isso torna-se muito difícil. 
Perdoa-me, perdoa-me por isso, por não perdoar todos os teus erros, mesmo sabendo como já te sentes arrependida. 
Perdoa-me por te lembrar constantemente de coisas que queres esquecer. Perdoa-me por não ser tua amiga quando sei que, se eu não o for, mais ninguém será. Perdoa-me por te garantir coisas das quais duvido mais do que tudo, perdoa-me por tentar enganar-te vezes sem conta. 
Preciso imensamente de que me perdoes... Caramba, eu sei que és capaz de me perdoar! 
Sabes que, no fundo, tenho muito orgulho da pessoa que és e daquilo que tens vindo a fazer. 
Sei que não é fácil seres tu própria e que tentas ser quem não és, muitas vezes, porque tens medo de olhares reprovadores, e porque queres forçosamente que gostem de ti, desculpa se fui eu quem te meteu essas ideias erradas na cabeça. 
Sei que, por tudo, já não confias em mim. Por isso, simplesmente, não és capaz de admitir nada, nem o que sentes, nem o que queres, o que te deixa triste ou o que te deixaria feliz. 
E eu espero, sinceramente, que voltes a confiar em mim. Quero muito não te voltar a trair, cumprir as promessas todas que te fiz. Mas, para isso, eu preciso que voltes a confiar em mim.
Vá lá, confia em mim, por favor... 

Com todo o amor do mundo, tu