sábado, 20 de dezembro de 2014

Tudo muda

Vivemos tão focados na nossa rotina que quase nem temos tempo para parar e analisar. Analisar a nossa própria vida. É que tudo mudou, mas quase nem nos apercebemos. Também não queremos, não queremos porque sabemos que nos vamos desiludir com as mudanças. O facto é que já nada está como antes, já nada é o que era e é esse facto que tentamos ignorar. Tentamos não sentir saudades do passado, porém, sempre chega um dia em que não dá mais para ignorar o que nos perturba. Nesse dia, em que paramos para pensar, para analisar, apercebemo-nos do que perdemos, do que tivemos e deixamos escapar, por nossa própria culpa, pois não fizemos nada para evitar que isso acontecesse. Dói ver que perdemos pessoas que gostavam de nós, simplesmente, porque acabamos por nunca ter tempo para elas, estávamos demasiado ocupados com a rotina, com o trabalho, com as obrigações que não queríamos falhar, não fomos, sequer, capazes de buscar um pouco do nosso tempo para dedicar a quem nos dedicava grande parte do seu tempo. Percebemos o quão ingratos fomos e o quão justo é este sentimento de nostalgia e arrependimento. Esperamos que a pessoa volte, mas ela não volta, seguiu com a sua vida da qual já não fazemos parte, e isso é o mais triste, ficamos a matutar em vão. Devíamos analisar sempre muito bem tudo à nossa volta, as pessoas, os momentos, os bens materiais… um dia tudo pode ir-se embora e não há nada mais triste do que o dia em que percebemos que perdemos tudo o que sempre quisemos ter e nem soubemos que chegamos, efetivamente, a ter.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Naquela noite...

Naquela noite fria de inverno, em que o meu coração punha vista à hipotermia, implorando por calor, chamei por ti…
Chamei por ti mas e tu não apareceste. 
Procurei-te no escuro dessa noite gélida. A neve derretia-se-me por entre as frinchas dos dedos, deixando-me as mãos molhadas. Pé ante pé, enterrando-me naquele branco manto, gritei o teu nome. Supliquei a tua presença. Sem êxito. Onde estavas? Quisera eu saber. Mas tu não estavas. 
As minhas pernas perderam as forças e deixaram-se cair. A neve estava fria e esfriava-me o corpo, porém, aquele gelo derretia. Mas o gelo encubado que coexistiu no meu coração permanecia em estado sólido. 
Naquela noite sinistra, chamei por ti, gritei o teu nome, supliquei a tua presença, e tu não vieste derreter o gelo doloroso que eu carregava no peito.