domingo, 22 de junho de 2014

Ensaio Filosófico - Adoção Homoparental

Deverá a adoção por parte de casais homossexuais ser permitida?

Num mundo em que 10% da população é homossexual e onde são cada vez mais os países a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, surge a questão da adoção que vem dividir as opiniões da população, gerando até polémica. Torna-se, assim, importante ter uma opinião sólida e fundamentada acerca deste tema.
De um lado, existem as pessoas que consideram que a adoção por parte de casais homossexuais é legítima e, portanto, deve ser permitida; do outro, existem as pessoas que protestam contra esta ideia, afirmando que a adoção por parte de casais homossexuais não é legítima. Eu pertenço ao primeiro grupo: do meu ponto de vista a adoção por parte de casais homossexuais é legítima e deve ser legalizada, por vários motivos:
Segundo a Carta Universal dos Direitos Humanos deve haver igualdade entre os seres humanos, se os casais heterossexuais têm o direito de adotar uma criança, então este direito também deve ser concedido aos casais homossexuais. Por outro lado, se a adoção foi um meio criado para que os casais que desejam ter filhos e não o podem fazer pelo método convencional, possam realizar esse desejo através da adoção, então esta também se destina aos homossexuais, pois para essas pessoas a única forma de realizarem o seu sonho de ter um filho é a adoção, além disto, existem imensas crianças em instituições à espera de um lar que as acolha, de uma família que lhes proporcione amor e conforto, se uma ou mais dessas crianças fossem adotadas por um casal homossexual que lhes desse o carinho de que necessitam, seriam, sem duvida, crianças muito mais felizes e, no futuro, pessoas mais felizes.
Contudo, surgem, por parte daqueles que consideram a adoção por casais do mesmo sexo ilegítima, objeções a esta tese. Dentro dessas objeções encontram-se algumas como: se uma criança tiver pais homossexuais também será homossexual no futuro – isto não é verdade, já que a orientação sexual de uma pessoa em nada depende da orientação sexual dos seus pais ou das pessoas que a rodeiam, mas sim de outros fatores, alguns dos quais genéticos, é algo que já nasce com cada um; também há quem afirme que um filho de homossexuais nunca será uma criança totalmente feliz e será alvo de troça – afirmação que pode ser considerada falsa, pois se uma criança for bem tratada e amada pelos seus pais homossexuais, esta pode ser tão ou mais feliz que outra cujos pais sejam heterossexuais, além disso, existem várias pessoas “diferentes” na sociedade: ou porque têm deficiências, ou têm outra religião, outra cor de pele, ou então porque são filhos de homossexuais, porém, quando estas pessoas são discriminadas a culpa não é delas nem das suas famílias mas sim da sociedade preconceituosa que não as aceita; há, ainda, quem acredite que uma boa educação depende da presença de uma figura masculina e de outra feminina – no entanto, a Ordem dos Psicólogos afirma que “um desenvolvimento saudável não depende da orientação sexual dos pais mas sim da relação que é criada entre pais e filhos”
 Por fim, é possível verificar a legitimidade da adoção por parte de casais do mesmo sexo, e esta deveria ser assim autorizada para fazer cumprir a igualdade referida na Carta Universal dos Direitos Humanos e também para proporcionar a estas pessoas a felicidade pela qual lutam desde há muito tempo; a felicidade e o bem-estar de uns deve contribuir para o bem comum. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Importância dos Laços Afetivos

Perante todas as mudanças que atravessam o mundo atual é fundamental preservar o nosso equilíbrio emocional, reforçando as nossas raízes e os nossos laços afetivos de modo a alcançarmos a felicidade e o nosso bem-estar.
Ninguém é feliz sozinho, o ser humano tem necessidade de dialogar, partilhar emoções e trocar ideias. Não podemos simplesmente voltar as costas ao que nos rodeia e isolar-mo-nos de toda a afetividade. A solidão origina doenças emocionais, como depressão, que só podem ser ultrapassadas com ajuda, ajuda essa da qual também fazem parte as nossas raízes e os laços afetivos.
Com todas as barreiras que a vida nos coloca, temos necessidade de nos agarrar a algo que não nos deixe desistir. E são as pessoas à nossa volta, que através dos laços afetivos que com elas criamos, nos guiam pelo melhor caminho, nos seguram quando estamos a cair e nos levantam quando caímos.
Em caso de doença, por exemplo, é à nossa família e aos nossos amigos que vamos buscar forças para recuperar. Além disso, são os bons momentos que vivemos com eles que nos apaziguam o stress do dia-a-dia.
Em suma, podemos verificar a extrema necessidade que temos em ter pessoas à nossa volta. O nosso equilibro emocional será quebrado se não reforçarmos as nossas raízes bem como os nossos laços afetivos, e com ele o nosso bem-estar e felicidade.

Cátia Cardoso e Tânia Pereira

quarta-feira, 18 de junho de 2014

História da Dona Ester

Trabalhou durante toda a vida a Dona Ester, lutou sempre para dar o melhor à sua família, mesmo com dificuldades criou os três filhos sem que lhes faltasse comida e, acima de tudo, amor. Desde que o marido faleceu que os filhos a internaram num hospício e nunca mais se lembraram da mãe. Deixaram-na sozinha, abandonada
Este é o caso da Dona Ester, que espera injustamente a morte, pois que já se foram todas as metas de vida, porém o mundo não é apenas injusto para ela, essa injustiça alcança uma dimensão universal e intemporal. Esta senhora merecia que os filhos a tratassem como uma rainha, mas como rainhas são tratadas aquelas mães que abandonam os filhos como fez a Dona Teresa, outra vizinha minha.
Onde está, afinal, a justiça? Falo da Dona Ester, podia ter falado das crianças africanas que passam fome, das famílias lutadoras sem nada, dos que roubam e não são castigados ou até dos animais mal tratados e mortos desumanamente.
E se há algo que me revolte, para além de discriminação e preconceito, é injustiça. Por mais que me esforce, não entendo, como é que é possível que num mundo repleto de gente instruída, ninguém seja capaz de parar este desconcerto!?
É por isso que visito a Dona Ester de vez em quando, converso com ela e a tento fazer sorrir por momentos. Está esperta como nunca mas bem vejo, por entre o azul dos olhos, a tristeza que sente em ter perdido a família que pensava que tinha.
E mais que me revoltar, estas injustiças entristecem-me! 




segunda-feira, 16 de junho de 2014

Teatro

A maior parte das pessoas definiria teatro como “um conjunto de peças dramáticas para apresentação em público, no qual um ou vários atores apresentam uma determinada história que desperta na plateia sentimentos variados”, porém e como quase sempre, eu não me integro jamais nessa maioria.
Para mim, teatro é sempre algo mais do que qualquer outra coisa, é sempre até mais do que a maioria das pessoas que me rodeiam, e coloco, sem hesitar, o teatro no topo da minha tabela de interesses.
Acontece que quando subo a um palco, por mais singelo que seja, eu me reencontro. Quando estou em cima do palco sinto finalmente que sou alguém, quando visto a pele de uma personagem, quando vivo peripécias que não são minhas, quando sinto emoções que não me pertencem é que eu sinto que sou eu.
É como se tudo começasse a fazer sentido para mim, cá em baixo sinto-me vazia, talvez eu tenha nascido com esta sede incontrolável de preencher a minha vida com algo que não me pertence mas apenas dentro do qual me sinto bem, talvez a vida que tento comandar seja demasiado desinteressante ou talvez seja uma vida imposta por uma autoridade superior e que eu me recuso a aceitar.
Em suma, nada me preenche mais do que representar, nada me excita mais que as fantasias do teatro, é fantasmagoricamente avassalador o poder que esta vertente da arte tem sobre mim!
Cátia Cardoso interpreta A Moça em "O Velho Da Horta"